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A polêmica do Ghost writing


Se você ainda está por fora do último escândalo literário, deixa eu resumir para você: a brasileira Cristiane Serruya, autora independente que está entre as mais vendidas na Amazon , está sendo acusada de plágio por diversas autoras internacionais como Nora Roberts e Tessa Dare. Motivo? Plágio!


O escândalo maior, pra muitos, não foi a descoberta do plágio em si, mas sim o fato de a autora , que só publica livros em Inglês, ter arrumado um profissional contratado pela internet para escrever os livros – o chamado ghost writer.
Escritor fantasma , ou ghost writer, é um escritor profissional contratado para criar e desenvolver histórias pelas quais não receberá crédito oficial, permanecendo anônimo. Pode parecer estranho, mas é uma prática bem comum em alguns setores como política e jornalismo, e até no meio acadêmico, produzindo artigos e teses de mestrado.

No caso da “autora” mencionada, ela diz ser inocente das acusações. Sua justificativa é a de que contratou um ghost writer em um site de serviços freelancer, e que não tinha conhecimento que o material era plagiado. Mas se ela tivesse tido o cuidado de revisar o material , logo saberia do plágio enorme , porque frases e trechos inteiros de escritoras famosas foram usados na produção dos seus livros.

De quem é a culpa?

Esqueça o plágio por um momento e pense na questão do ghost writing.
Para muitos, e eu concordo, esse tipo de profissional levanta debates de ética editorial importantes. Eu não acho errado contratar esses serviços, por exemplo, se você não tem aptidão alguma para escrever e precisa fazer um discurso. Esse profissional pode ser útil e ajudar você a compor ideias e pensamentos para um bom texto. O mesmo acontece para celebridades com suas biografias – o ghost writer pode facilitar e muito a produção do material.

Mas existem limites. Produzir literatura exige dedicação, conhecimento, gana, imaginação e esforço. Se você não tem nenhum desses atributos, fica difícil. Comprar uma história pronta para vender ao público como sua é algo que ainda ofende muito. Todos nós, ao lermos um livro, esperamos ali encontrar partes da personalidade do escritor – suas conviccções, seus medos, suas frustrações, sua imaginação tomando forma no papel. Ainda que possa ser considerado um negócio como outro qualquer, a compra e venda de textos literários deve ser feita com muita cautela.

E a situação fica ainda pior quando artimanhas como o plágio estão envolvidas. Quem compra produtos de origem duvidosa assume o risco de eventuais problemas que se possa ter com eles no futuro. Acredito que o mesmo vale para os textos plagiados que a autora vendeu como se dela fossem. Plágio é crime grave. Pode não parecer grandes coisas por aqui, mas ele é punido severamente em universidades mundo afora. Eu claramente me recordo de estar no mestrado e ficar sabendo que um aluno havia sido explulso do curso no ano anterior por conta disso.

A situação é grave.

O plágio envolve um grande volume de obras de autoras variadas, e cada vez que um processo é aberto, pior fica a sua reputação. Os leitoras fizeram a hashtag #CopyPasteCris no twitter para compatilhar trechos plagiados por ela em seus livros. O New York Times, seguindo a hashtag, contou mais de 100 livros e mais de 40 autores copiados até o momento. O único processo aberto até o momento é o de Nora Roberts, que disse, em entrevista, que muitos dos autores plagiados não tem condições de arcar com despesas judiciais, mas ela possui e vai faze-lo como ferramenta pedagógica – para que outros vejam e aprendam a não usar de plágio para escrever seus livros .

Em sua defesa, Cristiane Serruya diz que foi pressionada por coaches e editores para produzir mais e mais, e teve de apelar para a contratação de ghostwriters em plataformas online. Não podemos deixar de ver certa verdade desses fatos, porque sabemos como a pressão editorial é grande e como plataformas de publicação online por vezes deixam de ser criteriosos com o material recebido.

Mas, no fim das contas, plágio é crime e ela precisa ser punida por isso – ela pode não ser a autora do texto, mas é a dona dele. Logo, a responsabilidade sobre o material é dela, e esses livros precisam ser retirados do mercado.

Contem pra mim, o que vocês acharam dessa polêmica?

7 Comments

  • Fe Akemi

    Oiee
    Estava por fora dessa recente polêmica, vir saber agora por seu post e fiquei abismada. Tá certo que algumas coisas, infelizmente ocorrem, mas fiquei abismada e achei vergonhoso.
    Não sei se concordo com esse tipo de profissional, mas como vc falou para um discurso ou algo que não vá prejudicar ninguém, não há problemas, mas uma obra? Fica difícil, plágio é crime e não há desculpas.
    Excelente post!!

    bjs

  • Tita Gold and Beauty

    Há muito que o plágio e a contratação de autores fantasma são problemas, mas com as novas tecnologias e o acesso global à informação isso tornou-se mais visível e fácil de detetar. Ainda bem que assim é, talvez este processo seja mesmo “pedagógico” e sirva para dissuadir eventuais infratores!

  • Debora Sapphire

    Eu estava totalmente por fora dessa polêmica! Plágio é um assunto muito sério e deve ser tratado como tal é, um crime. Achei muito vergonhoso da parte de quem comeu esse crime e espero que seja responsabilizado e resolvido da melhor forma possível entre ambas as partes envolvidas. Eu nem sei direito o que argumentar aqui, já que pra mim isso foi uma surpresa desagradável. Inclusive, conheço autores internacionais famosos que foram vítimas, ou já cometeram plágio também. Parabéns pelo post super informativo!

  • Erika Monteiro

    Oi, tudo bem? Essa é uma questão bem delicada, o plágio. Com relação ao ghost writing nunca concordei com isso. Acredito que se uma pessoa quer ser escritora precisa se dedicar a isso. Estudar, fazer cursos, e buscar sempre desenvolver essa técnica. Não tem lógica alguém se denominar escritor mas pegar textos que outro escreveu… É quase como ter um blog e pegar fotos do google e textos de outros blogs. As pessoas devem produzir conteúdo inédito. Beijos, Érika =^.^=

  • Ana Claudia Soriano de Angelo

    Nossa, estava completamente “outra” da situação. Não sabia! Mas que complicado, hein!? Porque, afinal de contas, é um assunto seríssimo!
    Espero, de verdade, que tudo se resolva da melhor forma possível, torcendo que a verdade venha a tona e que ela esteja falando a verdade! Como você bem disse, esse trabalho requer amor, dedicação! É o que devemos levar ao leitor, dentro da mais pura sinceridade, que é o que mais toca no coração de cada um!
    Belo post! Parabéns!

  • Carol Cavalcanti

    Eu vi essa polêmica rolando no twitter e achei inacreditável… As duas situações são ruins, um livro que contém plágio e uma autora que não escreve suas próprias histórias. Não sei o que me chocou mais…
    Muito estranho e desonesto uma autora que não escreve. É o requisito básico da função!
    Espero que a história se desenrole de forma a servir de exemplo realmente para não vermos histórias semelhantes no futuro.

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