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Autor x obra – polêmicas literárias



Olá, queridos leitores !
Eu tenho adiado esse POST por meses, mas ele está na minha cabeça desde que eu descobri que a minha autora favorita estava envolvida em um twist digno de livros policiais. Está na hora de encarar a verdade.

(Esse texto foi resultado de muitas materias e artigos em revistas, canais literarios, sites de numismática – sobre coleção de moedas – e partes do livro da filha da autora. Uma busca no Google e muita paciencia te levarão aos mesmos artigos em inglês que encontrei.)

Minha autora favorita dos tempos de adolescente é Marion Zimmer Bradley. (MZB) Você deve conhecer o nome, porque ela é a autora da quadrilogia “Brumas de Avalon”, que é um livro incrível sobre a saga arthuriana narrada por um ponto de vista feminino.

Pois então, Marion, autora de livros de fantasia e sci-fi famosos, da badalada serie Darkover, editora da revista de contos Sword and Sorceress é uma pessoa controversa que ficou conhecida por favorecer, apoiar e praticar pedofilia.

Sim, você não ouviu mal. Não, não é fake news.


Tudo veio a tona em 2014, mas a história já era conhecida nos bastidores editoriais.

No auge da Revolução sexual dos anos 60 e 70, Marion e o marido Walter Breen eram visto como intelectuais modernos, e se sentiam como tal. Ambos eram homossexuais assumidos e viviam em total liberdade sexual, experimentando de tudo abertamente. O problema é que Breen era um proponente de pederastia – que significa que ele era a favor de relacionamentos sexuais entre homens e meninos. Essa palavra era sinônimo de homosexualidade, mas não se engane, essa ideia está mais para relacionamentos de pedofilia. Ele ja havia sido condenado por abuso na década de 50 e temporariamente banido de festivais e feiras por denuncias de pedofilia e estupro anteriormente. Sua reputação na área era conhecida, e Marion se casou com ele sabendo da sua filosofia de vida e crimes passados.

Breen, que além de especialista em moedas era autor de fantasia e sci fi, foi afiliado da North American Man Boy Love Association’s (NAMBLA) – traduzindo – Associação Norte Americana para o amor entre homens e meninos, e chegou a palestrar em eventos desse grupo abertamente durante o tempo que era casado com autora, que nunca se opôs em momento algum.

Todas as pessoas que viviam na casa deles , como parentes e agregados (lembrem-se , na época, vida em comunidades e estilos excentricos estavam em voga) seguiam essa linha de sexo com menores de idade, logo envolvidos em crimes de pedofilia e estupro. Lá eles ainda praticavam sexo grupal disfarçado como rituais de ocultismo. As crianças que frequentavam essa residencia foram envolvidas no estilo de vida e abusadas.

Hoje sabemos que muitas ideias presentes nos livros de Marion ( e de Breen também, qe escrevia fantasia ) vinham de experiências vividas na casa deles. Os abusos cometidos por Breen são públicos – no início da década de 90 ele foi condenado em múltiplas acusações de estupro/ pedofilia, e Marion Zimmer Bradley admitiu sob juramento saber sobre os crimes. Eu li alguns trechos de seus depoimentos, e ela chega ao ponto de ser bem blasé sobre o acontecido.


Segundo a filha de Marion, a autora e seu marido sempre se safaram do ostracismo devido ao dinheiro e a influência que tinham. Foram acobertados por pessoas influentes até do campo editorial. O envolvimento real de MZB só veio a publico porque a filha achou que era hora de dismistificar a pessoa que era tão culpada quanto o marido, mas nunca foi julgada pelos crimes.

Que fique claro que experimentação e descoberta sexual é um rito seu, privado, e natural. A sua sexualidade é parte importante da sua identidade, e cabe a você descobrir onde você se encaixa . Ele rito passa a ser problemático quando voce envolve pessoas incapazes de expressar consentimento, como crianças e jovens, ou quando você coage pessoas a participarem . Marion e o marido, bem como os familiares e amigos que ali viviam, se aproveitaram da incapacidade de consentimento de dezenas de crianças. Isso é muito grave.


E agora?

Tem como separar o autor da obra em crimes tão horríveis?

Um exemplo, então : Recentemente, o autor de “13 reasons why” Jay Asher, também foi acusado de assédio e intimação sexual, e foi convidado a não mais comparecer na Associação de Escritores e ilustradores infantis . Ele não negou as alegações e pediu desculpas.

Desculpar-se pode ser suficiente para muitos, mas para outros esse comportamento nao é mais tolerado . Há livrarias que inclusive estão tirando das prateleiras nomes envolvidos em escandalos do tipo. Com o movimento Me too, vemos o quanto esse tipo de comportamento é acobertado na nossa sociedade.

Minha posição é essa :
Eu não leio Arthur C. Clark e Azimov, nem vejo nada de Polanski e Woody Allen. Esses são alguns dos muitos nomes envolvidos em crimes de abuso sexual. Não consigo separa-los de suas obras, sinceramente, e não acho que devo separa-los. Acredito que esses livros e filmes são ferramentas que lhes deram toda a liberdade/influência/recursos para que cometessem esses crimes. Crimes sexuais são devastadores ao subjugar pessoas, destruir autoestimas e a capacidade de consentimento. Imagine isso com crianças. No caso de MZB, seus filhos(as) e sobrinhos(as) todos traumas emocionais e problemas de saude por conta disso. Pagar o ingresso ou comprar o livro deles me faz sentir uma pessoa complacente, indiferente ao que eles fazem na sua vida privada, e isso é, pra mim, inaceitável nos tempos de hoje.

Por isso, eu deixei de ler ou recomendar livros da Marion Zimmer Bradley. Eu tenho muitos deles ainda aqui, e olho para eles com pesar. Eu agora sei que ali naquelas linhas existem dor e perversidade fatos reais, e que sua fama e notoriedade impediram que as vítimas buscassem justiça.
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Um alento nessa história macabra : depois do escândalo ter vindo à tona por volta de 2014, a editora de Marion nos EUA não imprime mais suas obras, e todo dinheiro recolhido da venda do seu catálogo digital vai para uma ONG.

Qual é sua opinião sobre isso? Você acha que é possível separar a obra do autor? O que você faria se seu autor(a) favorito fosse acusado de crimes graves ?

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