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Dica de leitura: Filhos de sangue e osso.

Eu nem sei por onde começar, como explicar a importância dessa história.


Nós, brasileiros, classe média, fomos ensinados a relevar os traços culturais africanos na nossa vida em sociedade. Fato. Inclusive eu, que sou parda, afrodescendente, mas que ganhou a cor branca na certidão de nascimento, sou culpada disso. Quando mais nova, fui ensinada que religiões de matriz africana eram maléficas. Aos poucos, vamos aprendendo que as pessoas repetem o preconceito, mas desconhecem a história delas.

E você, também foi ensinado assim?

Pois já é hora de mudar isso. Filhos de sangue e osso, livro da jovem autora negra Tomi Adeyemi e publicado no Brasil pela Editora Rocco, está aqui para ensinar , para provocar e inspirar a todos, para colocar o protagonismo negro onde ele deve estar : em destaque.

Nesse livro, conheceremos Zelie, uma jovem africana que teve roubada sua história, sua identidade como tribo e sua religião. O universo mágico, da qual Zelie faz parte, é inspirado nas religiões da África ocidental como a Yorubá, muito presente no Brasil graças aos negros escravizados. Vemos a toda página elementos e referência ao culto aos Orixás como base cultural.

Zelie e sua tribo tem pele mais escura, e são hostilizados, oprimidos por tribos de pele mais clara. A opressão é norma . Contudo, os poderes dos Orixás começam a se manifestar quando relíquias dessa cultura ressurgem. Em um encontro fortuito com Amari, filha do rei opressor, Zelie desperta para a mágica de seu povo, o que a impulsiona em uma crusada na busca do resgate desse elemento que permeia sua identidade tribal.


Amari e Zelie são de mundos distintos, mas entendem as mazelas da dominação, da violência, do papel da mulher. Analogias com mundo real não passam despercebidas. O livro é inteiramente negro, o que é um grande feito para YA, que a todo tempo nos lembra o quanto essa representatividade é importante e como ela é comumente rejeitada socialmente.

O foco nesse livro são os personagens femininos, mas temos alguns masculinos que estão presentes para fortalecer a jornada das protagonistas, o que pra mim foi muito interessante de ver. Se você não sabe, a autora morou no Brasil um tempo para estudar cultura africana e foi inspirada pela atmosfera de Salvador, onde a mitologia e religiosidade negra é intensamente vivida. Ela propria desconhecia suas proprias raízes negras e mergulhou fundo para resgatar essa ancestralidade.

A história tem seus clichês comuns do gênero Young Adult, e a resolução dos obstáculos é, em certos pontos, simplória demais. No entanto, a escrita de Adeyemi compensa. A violência,o preconceito, a opressão são costuradas lindamente, e o arco de crescimento dos personagens femininos inspirarão certamente muitas meninas negras nas suas jornadas.

Se você ainda nao teve a oportunidade e ler o livro, não perca tempo e mergulhe nessa historia antes que vire filme ! Sim, a propria autora publicou no Instagram recentemente que os direitos do livro foram vendidos, e já tem diretor escolhido – negro, claro !

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5 Comments

  • Michelâyne Raniely

    Esse livro parece ser tocante e lindo! Adorei a indicação e todos os assuntos que aborda, acho crucial trabalhar sobre a cultura negra. Dica anotada!

  • Anatomia

    Oi,
    Ainda não tinha li livros assim, confesso que fiquei interessadíssima e curiosa para ler esse. Gosto bastante de livros que nos ensinam a ver com uma óptica diferente do que estamos acostumados. Já vou colocá-lo na minha lista!! Excelente indicação!
    Beijos

  • Wingardium Livros

    Ai que incrível ♥♥
    Eu já queria muito ler esse livro e depois da sua resenha – que ta simplesmente impecável – descobri que preciso ler pra ontem! Parece ser uma história densa, mas que vale a pena em todos os aspectos.

    Beijinhos ;*

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