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O primeiro livro de mistério de Agatha Christie

Kindle em fundo amarelo , mostrando a capa do livro
Posted by Luana Gomes

Quando eu era mais nova, na casa da minha madrinha, havia estantes cheias de livros, e uma coleção que sempre me chamou a atenção foi a da Agatha Christie. Dali, eu fui apresentada a Miss Marple, uma velhinha excêntrica e esperta, um ícone dos livros de mistério.

Eu acho que eu li quase todos os livros com a Miss Marple, mas não me lembro de ter lido nenhum do Detetive Poirot naquela época. Esse querido detetive belga cheio de manias eu só conhecia de fama mesmo, até poucos dias atrás. “O Misterioso caso de Styles” é o primeiro livro de mistério de Agatha Christie, e o primeiro protagonizando Hercule Poirot . Com o centenário da publicação dele nesse ano, acho que foi o momento perfeito para conhecer esse personagem.

Nesse livro, Hastings, um jovem soldado de licença, encontra seu amigo John Cavendish por acaso, e esse o convida a passar uns tempos na sua casa de campo em Styles. Durante essa visita, a velha madrasta de Cavendish, a Sra Inglethorp, morre, supostamente envenenada. Hercule Poirot, que é tanto amigo de Hastings quanto da senhora envenenada, é convocado para investigar.

Hercule Poirot, por David Suchet – um dos atores mais icônicos no papel do detetive.

E quem é Hercule Poirot?

O detetive Poirot é uma figura ! Excêntrico e até um tanto cômico, o protagonista é um detetive belga aposentado que mora em Londres. Foi um prazer conhece-lo, apesar de acha-lo um tantinho chato e muito próximo do arquetipo do Sherlock Holmes.

Por intermédio dele, a autora foi capaz de me apresentar tantas informações, suspeitos, e pistas a ponto de conseguir desviar a minha atenção do verdadeiro criminoso. Assim como o coitado do Hastings, que é quem dialoga sobre o crime com Poirot durante o todo o livro, me senti meio burra por não conectar os pontos no final.

Para um livro publicado a 100 anos, certas minúcias de narrativa e vocabulário podem não ser muito convidativos. No entanto, levando ainda em conta a data e o fato de este ser um livro de estreia , Dona Agatha se saiu muitíssimo bem na construção do mistério e suas reviravoltas.

E essa edição especial da Globo Livros é também digna de nota. Ela traz um prefácio/introdução que nos conta os bastidores que cercaram a escrita e o lançamento desse livro, em 1920. Adorei conhecer alguns detalhes sobre a escrita e os leitores beta do material ! E no fim do livro, temos uma surpresa – o final não publicado do livro, o texto original escrito por Agatha. O editor do livro, na época, não gostou da forma com que ela fechou a história ( revelação do culpado durante um julgamento em tribunal), e sugeriu que ela mudasse a ambientação para uma melhor revelação. E não é que funcionou? Nossa dama do mistério adotou esse tipo de ambientação em muitos dos seus livros posteriormente.

Já me disseram esse não é o melhor livro para começar a jornada por Agatha Christie, e eu concordo. Mas não deixou de ser uma grata surpresa ter sido enganada por ela – cem anos depois, eu caí certinho na armadilha, o que mostra que sua astúcia está muito viva !

Que tal terminar a resenha com um fato curioso sobre Agatha Christie e seus livros?

Nossa dama do mistério e sua máquina de escrever.

você sabia que ela já salvou a vida de um bebê de um ano e meio com suas histórias? Sim ! Em meados dos anos 1970, um bebê do Qatar foi levado à Londres para tratamento de uma doença misteriosa, que continuou sem diagnóstico apesar de inúmeros testes.

O bebê já estava em coma quando uma das enfermeiras se deu conta de que os sintomas apresentados pela criança eram muito similares aos da história que estava lendo. O livro? O cavalo amarelo, de Agatha Christie. Descobriram que a criança estava sofrendo de um envenenamento por um composto de tálio, que era comumente usado em inseticidas/raticidas onde ela morava, mas raro no Reino Unido.

Quem disse que a leitura não salva vidas ?

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