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Paulo Coelho e Hippie : resenha e bate-papo

Eu resolvi, no dia de hoje, ir um pouco além da resenha  do livro e bater um papo com vocês sobre o autor dele, porque  seu nome é polêmico em muitos circulos literários nacionais. Sim, meus amigos, hoje é dia de Paulo Coelho aqui no Benditos Livros !  Ele é o autor  brasileiro mais vendido e o autor mais traduzido no mundo inteiro, tem mais de 20 livros publicados e é também letrista de primeira, compondo em parceria com Raul Seixas grandes músicas, como a famosa Gita.

A crítica literaria em geral costuma ser bem cruel com Paulo Coelho. E eu entendo. Em um meio repleto de autores elitizados, cheios de rigor estilistico, ele é um incômodo porque é  pop em todos os sentidos: sua temática é esotérica e atraente, sua linguagem não é rebuscada, o estilo é comum, e  faz fortunas com o que escreve.  As críticas sempre foram duras, e muitas foram degradantes. Diogo Mainardi, em reportagem à revista Veja, no início dos anos 1990, fechou o texto escrevendo: “Afinal, há tanta literatura em Paulo Coelho quanto nas minhas meias encardidas.”

As criticas sofridas por ele são bem semelhantes as que os autores de realismo fantástico nacional  ( fantasia, distopia e outros) sofrem hoje:  seus livros não são “literatura”, o uso do português é duvidoso, o conteúdo pouco desenvolvido. Eu, como leitora, acho que desmerecer essses autores, asism como fizeram com Paulo Coelho, é um desserviço, especialente sem entender seu publico, a temática e o recorte social em que se inserem. Não demorou muito para se encontrasse mérito no conjunto de sua obra. Arnaldo Niskier, membro da Academia Brasileira de Letras,  analisou o sucesso de Paulo Coelho e colocou bem porque o autor era relevante para o círculo, em 2002: “Paulo Coelho sempre correu o risco de ousar, de ir diretamente à essência do que mais lhe interessa: o conflito humano. Em seu estilo de escritor, acredita nas frases curtas, na síntese de ideias e poucas descrições… A obra dele, com forte ênfase na espiritualidade, rejeitando gurus, mestres e o fundamentalismo, busca exatamente resposta para essa angústia universal. Talvez aí resida o segredo do vosso êxito planetário… ( leio o resto aqui )

Se você ainda não leu nada escrito por Paulo Coelho, aconselho que o faça, porque acho que esse seria um grande exercicio de aprendizagem.  Digo isso porque ja conversei com pessoas que criticam com fervor sem nunca terem lido nada dele. Sejamos pessoas inteligentes , vamos ler e assimilar e tirar nossas próprias conclusões. Se gostar, ótimo; se não curtir, tudo bem.  Meu conselho – uma boa pedida para começar  a ler Paulo Coelho é o Alquimista, que é um livro que funciona quase como uma parábola, na minha opinião. Ele é simples, curto, fluido e te permite tirar lições de vida importantes.

Eu particularmente gosto de Paulo Coelho e já li varias obras dele. Acho muito interessante o fato de que seus protagonistas, na maior parte, serem femininos, fato que muita gente ainda desconhece. Para mim, seu talento mair é desfazer a imagem mística do Mago e reconstruí-la em termos simples, mostrando a todos que, na verdade, o mago é somente o homem em busca da evolução espiritual, independente da tradição que siga para esse resultado.  Em suas obras você encontra referências religiosas das mais diversas culturas, todas de maneira muito simples de serem compreendidas, e eu acredito que esse conjunto de fatores contribui muito para o seu sucesso. Em sua maior parte, seus protagonistas de seus livros são femininos, e as temáticas, existenciais.

E o que dizer de  Hippie? Vamos a ele:

Titulo: Hippie

Autor: Paulo Coelho

Editora : Paralela

Nota :⭐⭐⭐ e 1/2

Hippie, nas palavras do própio autor,  ” é a minha fotografia, meu coração”. Trata-se de um romance autobiografico no qual Paulo, como eterno Hippie,  quer que conheçamos a vida alegre, simples e repleta de criatividade e significado que se buscava .  O movimento que dá nome ao livro, que teve seu auge nos anos 60 e 70, defendia a busca pela verdade interior, pela liberdade de expressão , pelo amor e pela paz, expondo toda a  hipocrisia de  uma sociedade transformada pelo consumo. Paulo diz que não é coincidência que o livro tenha sido lançado em um momento na história em que estamos repetindo esses erros e caminhando para um fundamentalismo de práticas e pensamentos.

Neste livro, temos as experiencias reais vividas pelo autor em um contexto remodelado . Paulo, que ainda não está pronto para assumir o seu papel de escritor, e que busca conhecer-se melhor. Essa busca o levou a Amsterdã, onde conhece Karla, uma jovem local nas mesma busca de pertencimento,  e juntos tomaram o Magic Bus para o Nepal, que era o local do momento para o despertar espiritual. É nesse recorte que conhecemos  mais sobre Karla, Paulo e outros passageiros do ônibus hippie, e como cada um deles busca uma transformação de vida.

Eu gostei, mas não tanto quanto gostaria. Quando falamos de romances autobiográficos, não acho que podemos ficar esperando historias lineares, fechadinhas, mas foi o que eu fiz, inconscientemente.  Erro meu, mea culpa. Queria mais detalhes  sobre determinadas passagens e acontecimentos, mais explicações me determinadors trechos e menos em outras . Queria conhecer o Nepal , e não consegui. NO entanto, nada disso não tira o brilho da historia. O relacionamento de Karla e Paulo é muito interessante; certos personagens secundários foram incríveis de conhecer. Destaco, ainda, a parte em que Paulo se recorda da prisão durante o regime militar : foi impactante ler sobre esse periodo.

 

Espero que esse  post possa ter dissipado algunas das suas dúvidas e preconceitos da literatura de Paulo Coelho !

 

 

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