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Resenha : Hibisco Roxo

Depois desse jogaço da Nigéria com a Islândia na Copa do Mundo, vamos a uma resenha temática !

Título : Hibisco Roxo – Purple Hibiscus

Autor : Chimananda Ngozi Adichie.

Compania das Letras, 2018

(tradução para o português –  Julia Romeu)

 Nota do Benditos Livros –  ⭐⭐⭐⭐

 

 Devo confessar que a leitura foi muito tensa – é uma história precisa ser contada e ouvida por todos.

Nela, acompanhamos a família da adolescente Nambili, que, apesar de muito abastada, é fragmentada pela  violência no seio familiar e pelo fanatismo religioso. Em meio a tudo isso, presenciamos o contexto social e político que moldam seu país, a Nigéria, e como o ambiente externo afeta a vida da protagonista,  e como suas crenças e rotinas precisam se desfazer e se recompor sob novas premissas.

A menina é uma personagem sem graça e desconectada, difícil de gostar, mas uma que se faz necessária porque ilustra uma situação real e dolorida. Seu irmão, por exemplo, que tem maior consciência dos males à volta,  poderia ser um interlocutor melhor , e talvez nos levasse a interagir com a leitura. Contudo, não é assim que  o machismo e a opressão são  justificados em sociedade ?  Nambili ainda não está pronta para tomar posse da sua herança e da sua história, mas autora lhe dá voz para que saibamos que todos merecem ser ouvidos, ainda que não saibam se expressar. A insistência de ouvir essa narrativa pelo viés feminino –  que muitos chamam de a voz do silêncio –  deixa bem claro o quão difícil ainda é para que as mulheres africanas se imporem frente a tantos obstaculos .

Não posso dizer genuinamente que gostei do livro, porque eu não fico feliz em ver o real sofrimento dos desfavorecidos, a intolerância e a opressão feminina que ainda estão enraizados em tantas comunidades. No entanto, eu posso dizer apreciei muito essa leitura. Nela, aprendemos mais sobre a situação socio-politica da Nigeria e sobre os embates raciais e culturais resultantes da colonização branca. Apesar de toda a brutalidade, a autora nos permite presenciar tambem a resiliencia e a esperança de uma menina e de um povo que buscam suas identidades individuais e coletivas.

Eu acabei por tirar uma estrela da minha nota porque acredito que a historia precisava de uma introdução ou de um epílogo, no qual  pudéssemos ver a evolucao do  caráter de Nambili, ver seu empoderamento tomando forma. Sem isso, ela simplesmente continuou sendo uma pobre menina rica, como outra tantas outras. Eu aplaudo a autora por isso, porque é exatamente o pretendido nesse livro: mostrar alguém que desconhece o seu espaço e a sua voz.

 

 

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