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Resenha : O imitador de Homens

Posted by Luana Gomes

Como vão vocês, queridos leitores? Prontos para mais uma resenha?

O imitador de homens, livro escrito por Walter Tevis na década de 1980, é uma historia que precisa se conhecida por todos que buscam uma boa distopia.

Em um futuro distante, os robôs que um dia foram criados para revolucionar , facilitar a nossa vida são aqueles que agora sufocam a existência humana. A sociedade, nesse ponto, está reduzida e em frangalhos – aqueles que restam estão em estado de torpor contínuo, mantidos no seu lugar com drogas e entretenimento vazio. Não há pensamento critico, e não há novas gerações nascendo. Todo o conhecimento humano está prestes a ser perdido.

No topo desse mundo de existência artificial e sem propósito temos Robert Spofforth, um robô Tipo 9, nosso protagonista. O último de sua geração, ele uma máquina quase humana, responsável por manter a ordem na cidade de Nova York. Mas, pra ser sincero, ele não aguenta mais a responsabilidade de manter essa sociedade vazia funcionando. Sonha em se libertar dessas amarras, pulando do alto do Empire State Building.

Seria assim a paisagem de NY, na visão de Tevis?

Infelizmente, seu programa interno não permite a autodestruição, porque sua função primordial é servir os humanos. Seria possível driblar o código programado? Seria possível acabar com a servidão e com a solidão que dominam sua vida?

No seu caminho, estão Bentley, um professor do interior cuja vida ganha sentido quando descobre uma nova atividade chamada “leitura”, e Mary, uma mulher misteriosa que vive à margem do sistema criados pelos robôs, sem alucinógenos, e no zoológico artificial. Cada qual tem seu papel na trajetória de Spofforth, e formam uma trama recheada de descobertas, reflexões e , por que não, um pouco de esperança também.

Muitas perguntas vem à tona logo no início : Como chegamos aqui, no auge da tecnologia, mas sem propósito, e com uma sociedade enferrujada, caindo ao pedaços? Como a humanidade perdeu a habilidade de ler, de formar vínculos sociais, de se reproduzir? Para onde foram a arte, literatura, a religião?

Você vai ter de ler para entender essa desolação.

É difícil falar sobre essa história sem entrar em detalhes ou dar spoilers.
Muitas das ideias oferecidas por Tevis nesse livro para o futuro são assustadoramente críveis, e nos estimulam a mergulhar na leitura. Conhecer um mundo sem pensamento crítico e leitura mexeu muito comigo, porque descobrir o significado das letras e palavras nos permite expandir as nossas limitações espaciais e as fronteiras do conhecimento. Tanto de nós como indivíduos quanto como sociedade é descoberto por meio da leitura, que eu não consigo me imaginar sem ela.

Bentley, o professor que descobre a leitura, experimenta um miríade de sentimentos e conflitos na sua jornada, e ve-lo descobrir seu verdadeiro eu foi algo especial :

Mas sobretudo, agora me parece, a coragem de saber e de sentir meus próprios sentimentos veio, lentamente, daqueles filmes mudos emocionalmente carregados que assisti na velha biblioteca, a princípio, e depois dos poemas e romances e histórias e bibliografias e manuais que li. Todos aquele livros – até mesmo os entediantes e quase incompreensíveis – me fizeram entender mais claramente o que significa ser um home. E eu aprendi com a sensação de temor reverente que às vezes me vinha quando me sentia em contato com a mente de outra pessoa, morta há muito tempo, e sei que não estou sozinho nesta terra.

O livro é permeado de momentos como esse, onde pequenas atitudes ganham ou perdem significado conforme Mary e Bentley descobrem novas palavras e ideias nos livros e filmes, que vão incitar novos comportamentos e anseios para os dois. Fica claro como todo o processo critico é muito excitante, e ao mesmo tempo, muito perigoso.

Por fim, preciso dizer que , ainda que seja um livro com conexões muito astutas, a linguagem é simples e muito acessível, facilitando o entendimento geral. Na minha opinião , esse é um clássico da distopia que está no mesmo patamar de inovação trazidos por Admirável Mundo Novo ou 1984. Ele foi, inclusive, apontado como sendo um possível futuro distante saído de Fahrenheit 451, e eu entendo o porquê dos leitores conectarem as histórias ( mas não acho que haja semelhanças suficientes para tal)

Seja você um iniciante ou um veterano na leitura de distopias, O imitador de Homens é um livro que vai pegar você de jeito, e te fazer lembrar do poder da leitura por muito tempo.

FICHA TÉCNICA:

Título : O imitador de Homens (Mockingbird, em inglês)

Autor: Walter Tevis, com tradução de Alexandre B de Souza

Editora: Radio Londres

Paginas : 288

Opinião Benditos Livros : uma ótima introdução ao gênero distopia
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1 Comment

  1. Flaviane Vilar

    Adorei a proposta do livro. Nunca li nada que envolvesse robôs, mas estou querendo me aventurar em novos estilos de leitura. Seu post está incrível.

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